Publicado por: Keu Azevedo em: 12/11/2011
Tô tão familiarizada com a tua ausência que quase consigo pegar na mão dela pra um passeio e fico tentada a pedir dois chás quando sento naquele café da esquina suja que a gente costumava freqüentar.
Ando meio estúpida e com um humor de lixo desde que você se foi. Amar é a fodalização da vida.
Você sabe, nunca fui de dizer palavrão, a minha boca limpa só se enchia de você, das tuas coisas e do teu gosto. Não é mais assim. E eu fico aqui nesse lesbianismo com a tua ausência: dormimos, comemos, choramos e gozamos juntas. E eu só penso em você. Ainda.
Lá fora há uma infinidade de caras ridículos que não serão tão ridículos quanto você e a droga de suas manias ridículas de ser exatamente o que eu continuo querendo.
Porque você é a porra do meu ‘pra sempre’. A porra do pra sempre de todas as histórias, filmes, e livros que vi e ouvi imaginando ser a personagem feliz do final – desde que eu tinha 12 anos e a porra do beijo de língua entrou na minha vida trazendo todas as ilusões de um ‘pra sempre’ que eu precisava -.
Perdoa o palavreado. Mas eu posso ser chula o quanto quiser, você não está aqui pra me censurar. Eu posso me rasgar, me morder, bater o dedinho na quina do sofá todo santo dia numa promessa de autoflagelo em prol do amor, que você não vai voltar. Você não vai voltar porque eu te mandei embora tantas e tão putas vezes, que você foi.
Será que você acreditou em mim quando eu mentia gritando que não queria te ver nunca mais? Você sempre foi o tipo de homem inteligente que via no tremer das minhas bochechas a minha fragilidade e o meu desejo. O que te fez ir embora de verdade?
Eu era devota tua, eu sou. Eu ainda rezo diariamente por uma mensagem de um número desconhecido dizendo ‘saudade de você, morena. Vem me ver, vem.’ Preu largar esse emprego de merda, correr pro outro lado do mundo e pular no teu pescoço. Te tirar do sério, te tirar o sono, te tirar a roupa, te tirar as cômodas convicções e te dar a bagunça do que somos, enquanto meu cabelo se espalha pela cama e tuas mãos são única separação da minha nudez completa.
Tu me come a alma.
E que diabos eu posso fazer agora sem o teu colo? Sem você minha vida se abrevia tanto que fica ilegível.
Queria fazer um escândalo, prestar-me a um papelão, bancar a louca, vadia, psicótica… Tatuar o teu nome, te fazer uma macumba, malhar a bunda, emburrecer e me escrotizar, até que qualquer coisa desse certo e você se arrependesse de ter me mostrado como é possível ser feliz sem muito, tendo apenas alguém que te ajuda a ser o máximo, e que te prova o quanto cada resfolegar pode ser satisfação cuspida universo a fora.
Eu preciso tanto e não-saudavelmente de você que até as minhas cutículas respondem à idéia do teu toque.
Fico ruminando cada cena nossa enquanto a Kelly Clarkson berra “Because of you I find it hard to trust not only me, but everyone around me… Because of you I am afraid…” na música mais dramática já berrada na história das minhas fossas.
Começo a achar tudo filha da puta: a manhã que me faz tirar os pés das pantufas bregas, uma manhã filha da puta; o meu trajeto casa-trabalho-almoço-ximfrim-trabalho-casa uma tremenda correria filha da puta; os sorrisos sem vontade e os olhares opacos coisa de gente perdida e filha da puta; a noite que já sei que vou passar sozinha naquele quarto filho da puta sem o teu cheiro de meu homem filho da puta, pra me abraçar e me fazer rejuvenescer 20 anos, ou sonhar com a eternidade gostosa e sem filha-putice ao teu lado.
Não me deixa aqui minguando nessa fome de você, lendo a tua saudade nessas paredes brancas, enfiando todas as unhas nessa ferida que teu amor me deixou, me punindo com a culpa vagabunda e a podridão que minha consciência exala. Não me deixa aqui sofrendo pra caralho não sabendo o que fazer sem os teus pés preu esfregar os meus até pegar no sono… Não me deixa aqui despejando todas as lágrimas do mundo nesse travesseiro que teimo em achar que ainda tem teu cheiro de enxaguante bucal e pós-barba.
Eu daria meus CDs do Michael Bublé, minha coleção do Machado, minhas canecas importadas, meus sapatos mais caros, meu diploma, minhas férias vencidas, meus dentes da frente… Eu daria tudo isso pra poder brincar de novo com aquele fiozinho deslocado e rebelde de cabelo do teu peito, pra te ouvir mastigar Doritos de boca aberta, pra que você me desse aquele bom dia meio remelado só mais uma vez. Porque a tua imperfeição me quebranta e me excita.
Eu luto cada dia pra não desistir de mim, eu fico repetindo um mantra imbecil de que preciso estar inteira caso você volte, mas você não volta. E eu estou me esfarelando a cada quarto de hora.
Eu quero dar gargalhadas e depois fazer “shiiiiii” falsamente bêbada enquanto a gente tenta não acordar os vizinhos, eu quero dançar só de calcinha uma música pop qualquer e te atirar travesseiros falsamente magoada enquanto você ri do meu show, eu quero morrer de ciúmes da tua amiga loira e gostosa, da tua ex loira e gostosa, da tua chefe loira e gostosa e te ouvir repetir infinitas vezes me abraçando por trás que sou tua, que sou tua, que sou tua, que só eu importo.
Pensa, pensa direito.
Pensa um só minuto.
Lembra de mim agora.
A-G-O-R-A.
E me faz outra vez feliz pra cacete!
Keu Azevedo.